terça-feira, setembro 10, 2013

Na janela...

Em um ônibus, minha respiração embaçada no vidro. 
O sol entre nuvens e sobre a copa das árvores.
Apenas alguns tons dele refletem na água. 
Deus brincando de aquarela.

O nevoeiro cessa a visão do quão longe a paisagem pode ser. 
Verdes, azuis, luz...
Tudo tão belo e eu sentado nesse banco com milhares de outros destinos afins.

Uma companhia clara ao meu lado lê seu jornal e comenta sobre futebol ou moda. 
Será que ela não vê o que eu vejo?
Essa tranqüilidade que passa diante de meus olhos, me protegendo do inútil.

É, talvez eu esteja mesmo ficando louco e a paisagem nem seja assim tão bela.
Ou todos caíram na rotina e depois de tanto ler notícias, nada podem fazer, somente tagarelar.
Como conseguem deixar isso assim, viverem presas em momentos que não levaremos para si.

Momentos lindos e tão simples às vezes estão bem a nossa frente, basta apenas ter olhos para ver, ter coração para sentir.
E momentos como esse talvez já tenham se passado muitas vezes por mim, eu não fui capaz de ver.
Dessa vida não nos adianta muitas coisas.
E das mais simples que nos fazem mais felizes.


Prefiro continuar olhando a vida brincar de ciranda com cores pela janela.


Autoria: Diego Ferreira

terça-feira, agosto 27, 2013

Inocência

Quando falo de inocência a primeira imagem que vem a minha cabeça é de uma criança...

Símbolo de pureza, a criança já nasce por si só inocente, apesar de muitas vezes não a reconhecerem.
Sinto-me feliz quase que imediatamente quando uma criança sorri para mim, pois seu sorriso além de singelo e grato faz qualquer solidão ir embora.

Singelo, sincero e grato...

Acredito que as crianças nasceram para nos ensinar a viver puramente a vida.
Para nos ensinar que nos menores atos podemos ser felizes e dar gargalhadas, como em uma brincadeira.
Que o choro é do mais que uma manifestação de tristeza, mas uma forma de pôr para fora tudo que nos impede de ser feliz.

Se eu pudesse queria ser para sempre uma criança...

Nunca me esquecerei de minha inocência e peripécias quando criança. Quando não tínhamos obrigações de adulto a cumprir.
Quando brincar sozinho ou com meus amigos, ou simplesmente assistir a desenhos fossem a vida inteira.


Sinto muita falta desses momentos...

Mas a minha infância eu sei que ainda existe.
Não como alguém infantil, mas que usa da alegria como ferramenta para viver constantemente.
E não só isso, mas também está fora de mim.
Porque sei que minha infância estará eternizada no choro de meus filhos ao nascer.


Um  dia pararei de voar e morrerei para dar lugar às asas de meus filhos...


Autoria: Diego Ferreira

quarta-feira, agosto 21, 2013

Busca consequente

Desilusões são itens normais num mundo de sóbrios e sombras como é hoje.

Tenho diversas desilusões, mas como bagagem, aprendizado.
Tenho diversas guerras travadas sem sucesso, mas a honra de buscar é a supremacia da luta.
Tenho diversas maneiras de ver meu dia, uma vez que cada olhar que tenho de si está condicionado ao meu viver.

Se sentir desiludido não me tornou fraco, mas perseverante.
Não me tornou pequeno e indefeso, mas otimista e guerreiro.
E não me sinto cansado em chorar pelo fracasso, pois sempre chegará a hora um sorriso sincero.
Lutar não é um desperdício de tempo mesmo com a derrota, é saber olhar adiante mesmo que sem enxergar nada e buscar a jornada que se concluirá com a satisfação do cumprimento.

Então não me importo em sentir-se desiludido, decepcionado, triste, desamparado, humilhado, derrotado.
Sou um homem e não um deus. Chamo-me Diego e não Zeus.
E abaixo a meus pés estão pedras, poeira e terra. E não nuvens e altares de ouro.

Um dia sempre perceberemos que todo sofrimento trará felicidade e que toda derrota trará vitória. Afinal, o que seria do sorriso se não houvesse as lágrimas? Não sei responder...

Eu tenho muitas dúvidas sobre meu futuro e com ele carrego nas costas as incertezas do amanhã, mas o que vivo hoje já passou por muitos sofrimentos e desilusões.
Mas como estou vivo, assim provo para mim mesmo capaz de me desiludir de alegria, de me estagnar de sorrisos, de chorar de paixão.

Às vezes pra que eu acerte tenho que errar, perder ou sofrer.
Então perdi totalmente meu medo de errar, perder ou sofrer.
Perdi totalmente meu conceito de certo ou errado, mas sim de tentar. Tentar sem se importar com as consequências.
Qualquer lugar que eu olhe pode ser meu horizonte, meu destino.


Cavaleiro andante mesmo que perca suas batalhas não deixa de ser um cavaleiro.
Importe-se em andar... Se perder, sem problemas. A vida é mais que uma jogatina de sucessos.


Autoria: Diego Ferreira