sábado, abril 12, 2014

O sono e a vigília

Irmão e irmã... Os dois estados de consciência.

Descartes já dizia que não há indícios concludentes que os possam separam.
Será então gêmeos? Nascidos com a simbiose de um ventre materno?

O sentir e o parecer sentir. Duas realidades ou fantasias distantes.
O aqui e o outro universo.

Um é o sagaz... A lança... O sono
Liberto de todas suas barreiras,
capaz de alcançar e almejar sem escrúpulos todas suas vontades.
A outra já é tímida e limitada... O escudo... A vigília
Controla-se para não equivocar-se,
Pois o que não é concreto, não é tocável, não é alcançável.

Então o sono e a vigília podem sim ser inseparáveis, de fato.
Pois sendo um a contradição do outro,
não vivem sozinhos entre si.
Ligados para sempre, seja pelo corpo, seja alma.
As duas asas que um pássaro precisa para voar.

E como o amor de irmãos,
o sono e a vigília vagam pela noite ou pelo dia,
para que um seja a lança e o escudo do outro.
A consciência os carregará e os iluminará,
e estes sempre terão sua missão divina:
a de nos humanizar e nos fazer seres cada vez mais vivos.


Autoria: Diego Ferreira


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