sábado, abril 05, 2014

Victim




São lastimáveis as vítimas constantes da história que jamais acaba...

Nos primórdios, os fracos subiam em altares, escolhidos pela decisão de uma moeda,
para com seu sangue, derramá-lo entre as pedras, acalmando os deuses tiranos,
que com sua ira nos dizimaria sem piedade... sem amor... sem remorsos.

Eventualmente o tempo passou 
e os homens tornaram-se vítimas indefesas do sistema... 
Aquele ser forte, postado em seu trono, com seu olhar altivo e destruidor
agora daria lugar a um deus invisível, constituído de números e cifrões, 
um deus poderoso para os seletos.
Se você não se adapta ao regime, este o elimina.
Esse mesmo sistema que agora substitui o papel da divindade que pune, 
mas que agride tão mais fortemente como tal.

Esconder-se às sombras das alamedas com medo de ser pego pela massa manipulada.
Seja por agressão ou por rejeição, as armas podem ferir e gerir seres imutáveis,
retalhar a mente dos que não se defendem,
estraçalhar o corpo dos que não pensam,
esvair a alma dos que não choram...

E a cada dia que se passa, estamos mais condenados,
condenados a viver sem nossa liberdade, sem nosso amor, sem nossa compreensão...
Querendo ao extremo de todo precipício mergulhar numa queda sem fim,
sentindo o ar congelando nossa inocência e ignorância,
levando-nos até onde eles não nos possam tocar.
Se eles nos tocarão? Não sei... 
O precipício é o nosso coração. E vai saber quem poderá chegar até lá.



Autoria: Diego Ferreira




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